Usabilidade: o novo lobby. Dizer o que todos já sabem e pensam à anos e o que o bom senso e meio palmo de testa sempre resolveram está agora a tornar-se numa profissão, para não dizer lobby. O que se segue é polémico e que vai contra a opinião de alguns amigos meus, que aliás até trabalham na área, mas é a minha muito sincera opinião pessoal há anos e tinha de a por cá fora...
Obviamento sou suspeito logo à partida pq sou daqueles que acham um exagero estas "regras" ditadas por um tal de Jacob Nielsen. Tornou-se no Moisés das pessoas que fazem páginas web. Lançou cá para fora uns "mandamentos" que são mero "bom senso" que se tornaram num novo tipo de "consultadoria". Sempre houve design de interfaces, mas há uns 3 anos, cá em Portugal, tornou-se moda falar em Usabilidade na web, em que aparece alguém que diz que aquele logotipo é grande demais, ou que não está suficientemente à esquerda, ou que aquela caixa de pesquisa deveria ter 15 caracteres e nao 12. Isto é bom/mau senso/gosto! Não é mais nada! Fenix, a internet existe há anos, os sites existem há anos e ninguém deixou de a usar só pq em alguns sites os links não mudam de cor quando se passa o rato por cima. É má prática o fazer ? Até pode ser, mas baseado em quê ? Os icons no meu desktop tb não mudam de cor quando passo o rato por cima e não é por isso que o deixo de usar.
Isto para mim deveria ser inerente ás pessoas que fazem o site, ao webdesigner. Se eu compro um site ou se tenho alguém que mo faça, essas pessoas tem de ter dois palmos de testa para saber o que fazem e fazer-lo bem. Não faz sentido eu estar a pagar a um designer ou equipa ou empresa para me fazerem um site para depois me cair de paraquedas um gajo que se diz "consultor de usabilidade" para me vir dizer que o logotipo está muito a baixo, que aquela caixa deveria estar do lado direito. A propósito de quê !?!? Pq as regras do Jacob assim o dizem ? Pq há "estudos" ? Por causa do gosto pessoal dele ? Give me a break...
Há certos aspectos do desenho de um site, e não falo do layout que tem de ser pensados e estudados. Feitos testes com pessoas externas ao site/empresa. Ok, aí admito que tem de haver especialistas, ou pelo menos saber-se bem o que se faz. Mas as boas práticas e experiência tb contam. Não é por acaso que todos os sites de comercio electrónico copiam a Amazon.
Mas vir dizer como vieram a semana passada em vários jornais e sites de informação que "segundo um estudo" todos os portais Portugueses são lentos "pois apresentam muitas imagens, publicidade em excesso e várias animações" é muito infeliz. Primeiro, bem vindos á banda larga! Segundo, vamos voltar á web text-only ? Wake up call... a empresas precisam de fazer dinheiro. Se a TV está cheia de lixo/pub pq não os portais. E não é pegar numa citação, dos artigos, as outras todas são do género, vagas. É o mesmo que vir um "consultor culinário" dizer que os bolos devem ser bons, de tamanho adecuado, feitos por cozinheiros, sem excesso de açúcar e com produtos de qualidade. Duh!
Há formas mais honestas de se fazer dinheiro. Uma opinião mais caustica e politicamente incorrecta ? Para mim, muitos dos casos são pessoas, e de mim falo, que há uns anos "tinham jeito" para fazer sites ou gostavam da área e que foram ultrapassadas por verdadeiros profissionais e agora em fuga para a frente se advogam "consultores" do "bom senso". Pq sejamos honestos. Que qualificações têm a mais do que os outros para dizerem o que dizem.
Mas qualquer dia admito dar a mão à palmatória... hoje não.
Só mais um nota, basta ler a última opinião do Jacob. Diz que a segurança informática não passa pela educação dos utilizadores. Solução ? Dá alguns tópicos em que todos requerem educação do utilizador e um último a bold que diz tudo onde ele queria chegar. Polish security features' usability to a level far beyond anything we've seen so far. Security is inherently complicated, and it's something users don't care about (until it's too late). The user interface requires the ultimate in simplicity. Heavy user testing and detailed field research are a must.
Claaaaaaro. Como não podia deixar de ser, "Contratem-nos que nós é que sabemos."
Update: Só agora reparei. O consultor que fez este "estudo" é o mesmo autor de um comentário que referi um dia destes. Aviso á navegação... coloquem caixas de pesquisa de 25 caracteres "no mínimo", mesmo que arrebente com o layout do site, senão arriscam-se a fazer parte de um "estudo" de usabilidade a referir o vosso "problema gravíssimo" publicado em meia dúzia de orgãos de comunicação.
Yah, estou a ser bue irónico mas tirei esta semana para bater neste tema.
Vamos esquecer por momentos a Web.
Um pessoa chega a um carro (como o teu :)) e tens os comandos colocados em locais de facil acesso e consegues mesmo na maioria das situações de perigo accionar os botões correctos. Isto só acontece com uma grande percentagem de sucesso porque houve especialistas (de ergonomia, usabilidade, etc) que se dedicaram a desenhar e testar a maneira como eles ali seriam colocados e utilizados. Nestes casos não se pode simplesmente copiar boas experiências porque cada carro é um caso. Esta analogia serve para todo o tipo de projectos.
Voltando à Web, conheço um site que nunca me lembro do link, que tem imagens de bolos para festas de aniversários daquelas do tempos do primeiros gifs animados, que para fazer "checkout" é preciso utilizar o telefone mas que é um tremendo sucesso na região de lisboa. Não cumpre nenhuma das regras de usabilidade, tem um design com "mau" senso mas triunfa. A Usabilidade não é um "solve-all-problems" mas a verdade é que em sites de grande trafego e onde existem perfis de utilizadores muito variados é necessário abordar o problema da Usabilidade de forma mais séria. E não deve ser apenas feito depois de concluido o site. Deve ser durante. O profissional de Usabilidade deverá interagir (ou ser ele proprio) com o arquitecto de informação. Só assim será possivel aos sites tornarem um site facil de usar (com taxa de sucesso elevado).
Eu tb não gosto do Nielsen e do estatudo de Deus que ele quer ter. Mas a aboradgem Americana para "solve-all solutions" costuma ter a sua importância. As regras do Nielsen (e de outros) já ajudaram muitas empresas a melhorar a perfornance do seu site. tudo depende da necessidade do negócio. Se for para vender bolos então talvez não seja nada necessário mas se for para aumentares em 20 % o número de pessoas que consegue comprar um viagem online então talvez faça sentido integrar um consultor (ou outro nome qq) de Usabilidade. por André Ribeirinho a 8 Novembro 2004 - 11:33
Paraquedistas
Então vamos lá ver:
- Gastei (insert value here) euros no meu site. Está online. Tem visitantes, as estatísticas assim o dizem. Não tenho vendas significativas. Mau! Que se passa?
- Oh chefe, sei dum lobby que talvez ajude.
- Então, Fonseca?
- Chamam-se Consultores de Usabilidade.
- Ah é? Vamos então chamar esses paraquedistas.
(ring ring)
- Alô, é do clube de paraquedistas? Mandem um ou dois.
Chegam os paraquedistas. De paraquedas, obviamente. Agarram nas tais pessoas que usam o site. Fazem uns "estudos". Observam as tais pessoas. Vêm o que elas fazem. Como fazem. Perguntam-lhes porque fazem.
E no fim, apresentam uma papelada com umas ideias. Agora é com o "chefe".
É isto senso comum? É isto bom gosto? É medido em píxeis ou em número de caracteres? São webdesigners? Designers? Programadores? Políticos?
Agora vamos ver outra coisa: Jakob Nielsen. Odiado e ridicularizado por muitos, amado e idolatrado por outros. Diz muita coisa. Há muitos anos. Já viveu muito. Muito mal, dirão uns. Muito bem, dirão outros.
As suas opiniões são... as suas opiniões. Leis? Não me parece. Boas ideias? Talves. Justificadas? Talvez. Certas? Depende.
A figura do usabilista (ou consultor de usabilidade) não é estranha a nenhum meio. Existem em quase todas as áreas, existem na forma individual, existem na forma empresa.
Emitem opiniões. Fundamentadas.
O gosto (bom, mau, comum, sui generis) não é para aqui chamado. Não são designers, são pessoas que se dedicam a compreender pessoas e a avaliar as suas reacções. Usam técnicas mas não são psicólogos.
Não pedem ao "chefe" coisas descabidas ou disparatadas. Conhecem o meio-web, as suas restrições, pedem o que os utilizadores lhes pedem, mesmo que não saibam que o estão a fazer. Mesmo sem saber pedir.
Tem 34 anos, é natural de Vila Nova de Famalicão mas mora no Porto desde que veio para a universidade... bem, morou. Agora já casado, está pela Maia. Anda pela internet há já uns 14 anos tendo trabalhado em vários projectos como foram o caso do Mail.pt ou no Sapo. Também conhecido como o responsável pelo ITJobs e o Destakes entre outras brincadeiras.
De resto já bloga há uns 9 anos apesar de ter perdido parte da "vida" numa mudança de hosting provider. Algumas restias ainda por aí andam... ah, e o email de contacto está no footer.
não chateiem com os erros de Português... "the bad spelling is part of the charm". ;-)
escusado será dizer que as opiniões aqui expressas são minhas e só minhas, e não de outros ou da empresa onde trabalho
qualquer outro bitaite... ramblings at karlus.net
não, não é powered by MovableType
ou Wordpress, é powered by código meu em PHP
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