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Setembro, 12 2005
Segunda-feira

A admiração
O que se segue não é uma análise, é um "dump" do que tenho na cabeça e uma maneira muito pessoal de ver as coisas. Se calhar errada, mas apetece-me deixar isto escrito.

É senso comum em muitas empresas, maioritariamente nas pequenas, mas tb em grandes, que quando se contrata alguém lhe é proposto um contracto a termo. As justificações são muitas, sendo que a mais comum será a de "testar o candidato". Muitas empresas geralmente ao fim de 6/12 meses metem o colaborador nos quadros a termo incerto. Dizer "muitas" se calhar será favor...
Não que isto seja uma graaaande vantagem. O certo é que dá uma certa estabilidade e uma motivação adicional, nem que seja a curto prazo porque convinhamos, as vantagens disso reduzem-se a "não se ter surpresas no final do contrato", umas regalias adicionais(seguro de saúde, etc) e a um juro bancário melhor, pq com uma "extinção do posto de trabalho" vão na mesma de vela com uma linda indeminização.

Depois há as tais empresas que empregam o método a que costumo aplidar de "renovar até à exaustão". Não precisam de ser os chamados "tascos", quando estava no Sapo era a técnica vigente para a "raia miúda". ;-) E como digo, na minha opinião pessoal não vejo mal nenhum nisso, se o resto à volta funcionar. Já estive três anos seguidos nessa situação e não veio ao mundo mal nenhum.

Mas onde quero chegar é à parte do "se o resto à volta funcionar"...

É que uma grande parte das empresas, ao assinarem por x meses com alguém assumem que se estão a precaver de fazerem a escolha errada, "Deixa-me assinar por 6 meses, que se o gajo for um desastre, daqui a 5 meses tem o aviso de não renovação à frente, se não for no período de experimental". O ridículo é que mesmo que o gajo sirva, continua em sussecivas renovações. Então a justificação agora é qual ? Pois...

Uma coisa que nunca lhes passa pela cabeça e que nunca está prevista é que a coisa funcione ao contrário. Muitas pessoas assinam por 6, 12 meses por ser "o melhor que se arranja" ou "por aceitarem que seja a política na empresa" e esperam que no fim do contrato ele seja renovado. Muitas aguentam até ao terceiro, mais conhecido como o do "vai ou racha", apenas para não ser renovado ou lhes ser proposto que se despeçam para voltarem a ser reademitidas.
Eu sei que a resposta à pergunta seguinte é "Pq há contas a serem pagas e pessoas a alimentar", mas vamos por momentos viver num mundo ideal. :->

E se fosse o empregado ao fim desses meses contratados a comunicar à empresa que não queria renovar pq não lhe agradou o trabalho, as condições, as expectativas ou pq simplesmente... cumpriu o contrato acordado ? Seria o mais normal, ao fim ao cabo ambas as partes acordaram trabalhar em conjunto x meses, em lado nenhum assumiram que iriam continuar juntas. Pq razão alguma parte poderia assumir que seria certa a renovação da relação ? Fenix, até o período experimental é para as duas partes!
É raro isto acontecer, pelas razões obvias, sendo a mais comum a resposta à pergunta acima, mas quando acontece desda maneira(iniciativa do empregado) a empresa fica completamente à banda, apanhada desprevenida. É que para muitas empresas, pagar o salário ao fim do mês seria razão suficiente para manter as pessoas dentro de portas. Se eles gostam do que fazem, se acreditam no projecto, se são motivadas, se gostam do chefe(as pessoas aderem a projectos, mas acabam por abandonar lideres), se têm condições de trabalho... isto são tudo razões que muitas empresas, normalmente as mais pequenas não se lembram. "Fenix, se o gajo aceitou o emprego é pq não arranjou melhor, ainda por cima com o mercado de trabalho como está sorte tem ele", pensarão. Com o mercado na situação que está, com a quantidade da oferta(boa e má) muitas empresas não querem saber se têm de agradar ou não(e o agradar nem é fazer festinhas nem dar café de borla). O salário é esse, as condições são essas, a porta está ali. Como já alguém uma vez me disse, "tu falas de barriga cheia", ou "tu representas um *custo* para a empresa, dá-te por contente". ;-)
E nem vou falar dos custos que acarreta a saída de uma pessoa de uma empresa, a ladainha é sabida.

E torna-se uma admiração para a empresa pq ? Pq na maioria dos casos se calhar nunca se aperceberam do elefante morto no meio da empresa. E depois o cabrão é o empregado que os enganou e não se adaptou. Pior são os que ficam pelas razões erradas...

Hora 12 Setembro 2005 - 15:46   Comentários 4 Comentário(s)   Technorati links   Linking posts

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E' agora...
Ok, e' agora que vais abrir uma empresa tua ?

Ja' sei, sou um chato do caneco :)

por Nuno a 12 Setembro 2005 - 16:34

Emprego anedótico...
Nem imaginas o quanto concordo contigo.
Gostava de descrever a minha situação na empresa, mas acho que esta <i>textarea</i> não tem espaço para colocar todas as anedotas que se passam aqui.
Deixo só um "cheirinho": A empregada de limpeza já não vem aqui à tantas semanas, que mais uns dias e começa a nascer musgo debaixo da minha secretária.
Já agora não me posso identificar, porque posso correr o risco de ficar sem o meu precioso(e anedótico) emprego.

por Tono Padeiro a 12 Setembro 2005 - 19:46

Excelente...
Adorei. Não podia concordar mais - neste país há muito a ideia de que uma empresa nos faz um favor em nos pagar uns trocos para nos matarmos a trabalhar - tenho *colegas* (não chefes) que, eles próprios, acham que isso é assim!

Uma das consequências dessa mentalidade ridícula é que, se o empregado é despedido, "coitadinho". Mas se é ele que se vai embora, seja por que razão for, é "desleal". Por muito que fosse maltratado e explorado na empresa, parece que não tem o direito de sair. Mesmo os próprios colegas acharão que ele os está a trair ao ir-se embora.

por Dehumanizer a 12 Setembro 2005 - 19:56

As razões que todos fazem por desconhecer
Essas são as razões que fazem a diferença dum bom trabalhador Português(quando emigrante) e um trabalhador de m.... (quando cá trabalha). E agora a pergunta : A diferença está? No clima, claro! Ou pensavam que eram os donos das empresas?
por Aureo Almeida a 20 Setembro 2005 - 15:37


Blogmaster
moi Tem 33 anos, é natural de Vila Nova de Famalicão mas mora no Porto desde que veio para a universidade... bem, morou. Agora já casado, está pela Maia. Anda pela internet há já uns 13 anos tendo trabalhado em vários projectos como foram o caso do Mail.pt ou no Sapo. Nos tempos livres vai tendo tempo para fazer umas brincadeiras, entre as quais o ITJobs o Lusocast o Hispanocast ou o Destakes
De resto já bloga há uns 8 anos apesar de ter perdido parte da "vida" numa mudança de hosting provider. Algumas restias ainda por aí andam... ah, e o email de contacto está no footer.
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