De que têm medo os jornalistas ? Andam por aí umas opiniões à cerca da "blogosfera" (raio de nome) por parte de alguns jornalistas que sinceramente não entendo. Pelo que leio, dá-me a entender que andam preocupados com a notoriedade que os blogs andam a ganhar, a sua influência e o seu crescimento na internet. De repente percebem que os blogs apenas são "uma estrutura de publicação" ? Mas alguma vez foram mais do que isso ?
Foi precisamente a imprensa que agora diz que não passam disso que lhes deu importância demais (qualquer pessoa sabe que o Pacheco Pereira tem um blog), pelo menos por cá. Um blog não é mais do que um site, diferente, pessoal, que transmite o que o seu autor quer, basicamente uma agência de relações públicas pessoal. Podem ser políticos, técnicos ou como são na maioria, pessoais. Os blogs nunca passaram disto, opiniões, desabafos, o que não quer dizer que alguns "blogs profissionais" tenham nascido disto e hoje se confundam com sites normais, onde de comum com um blog, apenas tenham a plataforma de publicação.
É também um fenómeno que deu voz a quem não tinha visibilidade nem "amigos" para lhes atribuir um espaço num qualquer jornal ou meio de comunicação para escrever crónicas regulares sobre assuntos de que pouco ou nada percebe. Esses sim, se calhar até menos visibilidade têm que certos bloggers hoje em dia, e isso se calhar provoca-lhes alguma comichão. Alguns manifestam-na até com frontalidade a mais, outros se calhar pensavam que vinham para a "blogosfera" e o sucesso era instantâneo, só por já escreverem noutro lado. Se calhar nunca escreverem nada de jeito, e o sucesso na "blogosfera" é linear, e por causa disso, como nos media tradicional não são sujeitos a escrutinio, agora a "blogosfera" não presta e não serve como citizen media.
Agora vir com estes reports, de que a "blogosfera" está a crescer, e dizer que os números são inflacionados e que servem para "satisfazer o ego de alguns bloggers" que "não têm acesso a outros meios de comunicação" ? Mas algum blogger liga a estes números para satisfazer o ego individual ? Agora um gajo cria um blog e arrisca-se que lhe digam, "tu querias era uma coluna num jornal"!
Estão seriamente deturpadas algumas das minhas ideias.
Vamos por partes:
1) Está explícita neste post uma questão para a qual tentei alertar no meu texto: começas por concordar com o facto de um blog ser apenas uma estrutura de publicação e logo no parágrafo seguinte acrescentas à definição de blog outras características (carácter pessoal, por exemplo) que não fazem sentido. É escusado pôr as aspas nos "blogs profissionais", porque estes existem mesmo - e não, não se confundem com sites normais.
Alguém, algum dia, entrou num blog da BBC ou do Guardian (mantidos profissionalmente por profissionais de conteúdos) e não se apercebeu que era um blog aquilo que estava aberto no browser?
2) Cito: "Agora a "blogosfera" não presta e não serve como citizen media."
Nunca disse isso.
O citizen media será a Internet, não a blogosfera. A blogosfera contribui (a par de outro fenómenos) para essa Internet enquanto citizen media, mas não tanto como muitas vezes se assume.
É certo que os blogues dão voz ao cidadão que não tem acesso aos restantes meios. Mas, quase sempre, os blogues com mais impacto não são esses - são precisamente os outros, os que são controlados por quem tem acesso aos (ou até controla também os) media.
3) Eu disse que "alguns bloggers" gostariam de ter acesso aos media tradicionais. Não disse "todos", nem sequer "a maioria". Não tenho grandes dúvidas quanto a isto e são esses bloguers que enfatizam a suposta importância da blogosfera enquanto oposição aos media mainstream - uma oposição que está longe de existir, precisamente porque estes também controlam parte significativa da blogosfera!
4) Também já pensei que havia jornalistas com medo dos blogues. Agora sei que a maioria (e isto não é positivo) simplesmente os ignora. Aqueles que não o fazem, sabem que não têm grandes razões para ter medo. por João Pedro Pereira a 13 Novembro 2006 - 01:22
concordo....
concordo no geral, pelo menos nessa ideia de que não se deve confundir o cu com as calças, neste caso os blogues (uso) e o blogue "estrutura de comunicação". E esse afã em medir a influência então... sobre tudo isto deixei comentários no blog linkado. por Luís N. a 13 Novembro 2006 - 11:22
Tenho medo das citações a partir de leituras superficiais, como a sua
Caro Carlos: entendeu mal. Tudo mal.
Começa por ser curioso, "linkar" dois dos jornalistas portugueses que mais têm ligado e escrito ao fenómeno emergente da autoedição e da chamada web 2.0 nas suas várias componentes, do jornalismo participado às comunidades virtuais.
Desmontando as suas frases infelizes.
"Foi precisamente a imprensa que agora diz que não passam disso que lhes deu importância demais (...) pelo menos por cá".
Parece estar a referir-se a dois posts que dois jornalistas publicaram nos seus blogs pessoais. No meu caso, e penso que posso falar pelo João Pedro Pereira, não dou ao meu blog honras de "imprensa". E julgo que ninguém no mundo o faz.
"É também um fenómeno que deu voz a quem não tinha visibilidade nem "amigos" para lhes atribuir um espaço num qualquer jornal ou meio de comunicação para escrever crónicas regulares sobre assuntos de que pouco ou nada percebe."
Essa frase é assassina: por um lado está certa num ponto (a blogosfera constitui um megafone ao dispôr de quem não tinha voz no espaço público), por outro revela um profundo desconhecimento do processo de selecção que abre e fecha as portas dos jornais e outros meios de comunicação e é uma condenação genérica e rigorosamente injusta de toda uma classe.
"Esses sim, se calhar até menos visibilidade têm que certos bloggers hoje em dia, e isso se calhar provoca-lhes alguma comichão."
Esta fez-me lembrar a frase do editor do meu primeiro livro. Para me convencer, disse-me que o meu nome ia estar na capa do livro em inúmeras prateleiras de livrarias espalhadas pelo país. Respondi-lhe que o meu nome aparecia com alguma regularidade na primeira página e diariamente nas páginas interiores de dois ou três jornais há uma década (isto passou-se há uns quinze anos), pelo que deixasse de ser pateta.
O Carlos, como em geral os bloggers, acha que os jornalistas procuram a notoriedade. Está errado. A notoriedade é que tantas vezes procura os jornalistas: tem o exemplo bem concreto, tipo case study, de Miguel Sousa Tavares, que implicitamente "acusa" de ter dor de cotovelo da visibilidade de "alguns" bloggers. Pois... MST vende centenas de milhar, tem tradução em não sei quantos países, tem coluna e prime-time semanais, "prémios" (se assim quiser) de uma belíssima carreira jornalística de duas décadas, e você diz que uma pessoa assim sente comichão de quatro ou cinco mil pageviews diários que "alguns" bloggers esforçadamente conseguem? Como peça de ironia, de humor, aceitava... Mas o seu parece ser um post sério e não um exercício humorístico.
"Se calhar nunca escreverem nada de jeito, e o sucesso na "blogosfera" é linear, e por causa disso, como nos media tradicional não são sujeitos a escrutinio, agora a "blogosfera" não presta e não serve como citizen media."
Desculpe, Carlos, mas é uma patacoada sem sentido. Porque raio um patrão de media dá emprego a um jornalista se ele nunca escreveu nada de jeito? E porque mistério insondável o manteria em tais circunstâncias?
Tem a atenuante de se tratar de um erro cada vez mais frequente e empolado no meio em linha, mas você confunde sucesso, notoriedade e visibilidade. Pense lá melhor, pense até no seu próprio percurso: sucesso e visibilidade não são de todo em todo a mesma coisa e não andam obrigatoriamente juntas.
Claro que os jornalistas são sujeitos a escrutínio nos media tradicionais, como qualquer outro profissional dos muitos ofícios que contribuem para imprimir os jornais e levar ao éter o som e as imagens da rádio e televisão. Por via dos vários escrutínios a que são permanentemente sujeitos, São até despedidos volta e meia - coisa que um blogger nunca será.
"Agora um gajo cria um blog e arrisca-se que lhe digam, "tu querias era uma coluna num jornal"!"
É verdade. Não me importo de contribuir para fazermos uma lista de quantos cronistas da imprensa de hoje começaram por criar blogs. Se lhe juntarmos os jornalistas e opinion-makers que usam os blogs como máquinas de exercício de escrita between jobs, fica até maiorzita. E, francamente, o que haverá de errado em querer uma coluna de jornal e dar os passos que se entendam correctos para lá chegar?
Dito isto, assino por baixo o ponto 3 da resposta do João Pedro.
Tal como o JPP, eu também nunca disse que "a blogosfera não presta" e "não serve como citizen media". Penso precisamente o contrário -- o que não me impede, longe disso, de colocar questões e analisar criticamente o fenómeno com os poucos instrumentos que temos.
Respondendo, pela minha parte, à sua pergunta no título: tenho medo dos danos das citações de leituras superficiais. É um dos defeitos da publicação na web e como tal merece o nosso esforço para o minorar. por Paulo Querido a 13 Novembro 2006 - 11:26
Da importância
JPP,
"Está explícita neste post uma questão para a qual tentei alertar no meu texto: começas por concordar com o facto de um blog ser apenas uma estrutura de publicação e logo no parágrafo seguinte acrescentas à definição de blog outras características (carácter pessoal, por exemplo) que não fazem sentido. É escusado pôr as aspas nos "blogs profissionais", porque estes existem mesmo - e não, não se confundem com sites normais."
Não fazem sentido porquê ? Um blog como estrutura de publicação não pode ter caracteristicas ? Não se pode definir o tipo ?
Eu confundo blogs com sites normais todos os dias. Quantos sites não nasceram de blogs e continuam colados a essa "estrutura de publicação"... e no entanto hoje em dia são tudo menos blogs.
Paulo,
É "curioso" linkar jornalistas portugueses, tendo em conta o numero de frases que escrevem sobre um determinado tema num blog, mesmo que o assunto em análise tenha sido escrito e comentado por eles ?
"Parece estar a referir-se a dois posts que dois jornalistas publicaram nos seus blogs pessoais."
Parece não, estou. Se os linkei... mas entendeu mal. Eu não me referi ao seu blog como "imprensa" nem a si como a fonte de importância dada aos blogs em Portugal apesar dos livros e artigos que escreveu sobre o tema. O linkar foi uma mera referência ao artigo do JPP e ao seu comentário.
Em relação à "frase assasina" que "por um lado está certa"(?), é o meu entender, que há muita gente mais habilitada para escrever sobre determinados assuntos que as pessoas instaladas nas redacções. Mas é a minha ideia... pelo que leio. E nem é tanto uma questão de mais ou menos jeito, é às vezes a falta total de conhecimento. Como sabe melhor que eu, os jornalistas são das poucas pessoas que sabem e escrevem sobre tudo (ironia).
Em relação ao MST, sim, a referência ali foi mal colocada porque dá a entender que ele "tem inveja" dos bloggers, não é o caso, apenas um exemplo da revolta contra os bloggers, mas que naquele contexto deu a entender que ele era um dos "invejosos". Foi infeliz a inclusão do link.
"Desculpe, Carlos, mas é uma patacoada sem sentido. Porque raio um patrão de media dá emprego a um jornalista se ele nunca escreveu nada de jeito? E porque mistério insondável o manteria em tais circunstâncias?"
Pode ter escrito, mas já não escreve... sabe, a idade às vezes é um posto. Mas é uma excelente pergunta que dava pano para mangas, mas sinceramente não lhe sei responder, e não só na imprensa, mas em geral. O problema é que na imprensa a prova desta realidade nos chega todas as semanas/dias às mãos para a julgarmos. Não quero de todo generalizar... mas há muito profissional que escreve sobre o que não domina e recebe ordenado por isso (ou não se falarmos de estagiários).
Na prática, eu só não percebo esta intenção repentina de "abafar" a importância ou influência (se é que exite) dos blogs. por Carlos Jorge Andrade a 13 Novembro 2006 - 12:26
não tenho tal intenção
Caro Carlos,
"o problema é que na imprensa a prova desta realidade nos chega todas as semanas/dias às mãos para a julgarmos."
Pois é. Estamos sem dúvida perante um caso de sobre-exposição.
"Na prática, eu só não percebo esta intenção repentina de "abafar" a importância ou influência (se é que exite) dos blogs."
Não tenho intenção de abafar a importância dos blogues nem a influência que alguns deles tenham ou venham a ter. Limito-me a seguir a evolução, muito rápida, da auto-edição e a sua relação com o espaço público. Parece-me que o João Pedro faz mais ou menos o mesmo. por Paulo Querido a 13 Novembro 2006 - 13:01
Blogmaster
Tem 32 anos, é natural de Vila Nova de Famalicão mas mora no Porto desde que veio para a universidade... bem, morou. Agora já casado, está pela Maia. Anda pela internet há já uns 12 anos tendo trabalhado em vários projectos como foram o caso do Mail.pt ou no Sapo. Nos tempos livres vai tendo tempo para fazer umas brincadeiras, entre as quais o ITJobs o Lusocast o Hispanocast ou o Destakes
De resto já bloga há uns 7 anos apesar de ter perdido parte da "vida" numa mudança de hosting provider. Algumas restias ainda por aí andam... ah, e o email de contacto está no footer. Btw... job offers are welcome!
@celso for sure... hope they release an API for that :> 08, Sep - 02:09 god, google now has it's own freaking satellite 08, Sep - 01:09 The story behind Google Chrome - http://tinyurl.com/6bxgm7 08, Sep - 01:09 @celso wondering why the blog post still didn't "get in" 08, Sep - 01:09 wikisym starts at 8:30... give me a break :-( 08, Sep - 00:09 @suskind ou isso :) 07, Sep - 23:09 @ndantas isso é tão web 1.0... agora há galerias com thumbs ;) 07, Sep - 23:09 there's that linus/bill gates hollywood movie playing at that "mov" channel 07, Sep - 22:09
não chateiem com os erros de Português... "the bad spelling is part of the charm". ;-)
escusado será dizer que as opiniões aqui expressas são minhas e só minhas, e não de outros ou da empresa onde trabalho
qualquer outro bitaite... ramblings at karlus.net
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