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Março, 9 2008
Domingo

A defesa dos medíocres
Há três anos não votei Socrates... nem em Santana. Pela primeira vez na vida, não votei. Sócrates "não tinha curriculum", tinha "nascido" no comentário político ao lado de Santana na SIC Notícias e no limite não sou de esquerda ou centro-esquerda (seja lá o que o PS é hoje em dia). A alternativa, votar em Santana, digamos que nunca foi hipótese, e nem eram preciso aqueles meses de demonstração grátis do produto.

Hoje, sem hesitação alguma, com vários defeitos é certo, votaria Sócrates, num ápice... seja qual for o candidato de direita.

Não me vou alongar nos porquês ou razões, para o caso não interessam.
Apenas refiro isto, porque se por ventura Sócrates (Eng. ou não, who the fuck cares) toma a decisão de demitir a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, antes do fim da legislatura, eu não voto nele... por falta de "espinha dorsal".

O artigo do Miguel Sousa Tavares este fim de semana no Expresso sobre o tema (as reformas da Ministra e os professores) é divinal e "to the point" (e nem sempre concordo com o gajo). Basta destes sindicatos e movimentos corporativos que querem ditar as regras. Não gostam, ponham na beira do prato! Saiam! Vão embora! Ou então venham para o país "civil". O país avança sem voçês vocês, os medíocres, os que os sindicatos defendem... os bons, aqueles a quem por exemplo as avaliações e reformas vão evidenciar, não têm nada a temer, pelo contrário.

Hora  9 Março 2008 - 00:33   Comentários 12 Comentário(s)    

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Concordo
Já estou farto dos professores...

Acabou a mama e agora só refilam...


M.

por Miguel a 9 Março 2008 - 00:52

E os outros ?
E quem avalia os médicos, os enfermeiros, os engenheiros, etc...
Porque é que só os professores é que têm de ser avaliados ?
Se no programa eleitoral do PS todas estas reformas (educação, saúde...) constassem lá conseguiria o PS a maioria absoluta ?

por João a 9 Março 2008 - 01:46

Voto em Branco
E o voto em branco?? Não é hipótese?? Da minha parte, será sempre voto em branco...seja quer for...tenha poder de decisão ou não...

Também me parece altamente redutor, tomar uma decisão de voto tão importante com base num despedimento...

Se não despedir, fez um óptimo trabalho enquanto primeiro-ministro?? (sinceramente está para lá de longe na obtenção dessa avaliação)

Se despedir é um péssimo primeiro-ministro...

Enfim...

por Phil a 9 Março 2008 - 05:14

Re: E os outros ?
E os outros também são avaliados... só que de forma bastante mais penalizante que os professores.
A título de exemplo, a minha mãe: é assistente social num hospital (por acaso EPE) e mesmo que tenha avaliação suficiente não progride porque aqui a progressão não é automática desde que se tenha "bom", como é o caso dos professores. É necessário que a entidade tenha "dotação orçamental", coisa que diz não ter. Ponto final, melhor sorte para o ano.
Os médicos para subirem de escalão precisam de fazer um concurso bastante exigente, não é como a brincadeira que os professores tinham antes (anos de serviço + acções de formação). Para além de que actualmente não existem carreiras médicas para os novos médicos: contratos individuais de trabalho...
Um conceito muito importante: antiguidade não é posto.

por Ricardo Cardoso a 9 Março 2008 - 11:12

Ou é Sócrates ou nada!
Eu pessoalmente não gosto da "pessoa" Sócrates mas aprecio a coragem e vontade do "Primeiro-Ministro" Sócrates. Não votei nele mas também não vejo actualmente nenhuma alternativa credível e que pudesse fazer algo pelo país. Veja-se o estado em que está o PSD...não tem nenhum candidato forte. Depois do Marques Mendes veio o Filipe Menezes que, a mim, e a muitos portugueses, não diz nada!

Quanto á governação do Sócrates, de facto o que ele tem tido mais é coragem para as fazer. Acabou com o lóbi das farmácias, optimizou recursos na Saúde, talvez não da melhor forma em termos sociais, está a tentar impor-se na Educação, enfim...tem feito o que os outros não tinha coragem para fazer. Penso que este governo está a trabalhar bem e está a ser "policiado" bem pelo Cavaco Silva.

Quanto á questão das progressões nas carreiras dos professores (assim como nas outras áreas da Função Pública), quem, como eu, sempre trabalhou em empresas privadas, sabe que as progressões nem sempre são possíveis e que não podem ser "eternas". Vou dar-vos um exemplo pessoal, estou numa empresa portuguesa à 3 anos. Sou um dos primeiros empregados de uma nova fábrica e, apesar de ter a consciência de que desempenho as minhas funções muito acima da média, ainda nãio tive qualquer oportunidade de progressão na carreira ou qualquer distinção em relação aos colegas que andam lá a "passar o tempo".

por João Pinto a 9 Março 2008 - 13:36

Concordo
100% de acordo. Na minha opinião, começa logo com o estranho pressuposto que o estado é quase "obrigado" a garantir emprego aos que optaram pelo Ensino por não ter neurónios suficientes para a Matemática (obviamente que não estou a generalizar a 100%, mas parece-me que os mediocres enquadram-se aqui).

Coisas que não percebo:
- Porque é que o dinheiro dos impostos que eu pago serve para pagar ordenado a 2000 pessoas destacadas de dar aulas por estarem alocadas a tarefas sindicais?

- Sendo os professores avaliadores de alunos mal saem da Universidade, porque acham eles que não são qualificados para avaliar os colegas?

- Com horário máximo de 22h/semana, sobrando 18h para o horário normal de 40h, como é que se queixam que estão sobrecarregados de trabalho em casa aos fins de semana? 18h a dividir pelos 5 dias da semana, dá quase 4h de tempo livre por dia. Se calhar nas tardes livres, deviam ficar a trabalhar em vez de se passearem no NorteShopping.

Com injustiça para os "grandes" professores (que são uma minoria como se viu pela adesão de medíocres de ontem), apetece dizer:

VÃO MAS É TRABALHAR!!! E se não querem, mudem para o ensino privado, onde insultar o patrão (como a loira fez no Pros e Contras à ministra) dá direito a processo disciplinar + despedimento. Pode ser que dêm valor às regalias que têm.

Campos

por Campos a 9 Março 2008 - 17:24

.
O que falta nesta história dos professores é a capacidade de distinguir o que é democracia e o que são relações laborais.

Os professores são empregados do estado e, no que se refere ao seu emprego, têm de ser tratados pelo estado como empregados e não como cidadãos. É isso que acontece com a avaliação de desempenho, que não é mais do que qualquer empresa privada já pratica faz muitos anos, sem quaisquer tipo de problemas.

Se não acham bem, vão procurar emprego no sector privado. Depois vão ver o que é bom para a tosse...

por Carlos Rodrigues a 9 Março 2008 - 17:53

Ó Carlitos
Fica-te mal a tareia na docência e depois escreveres "voçês". Se há ironia não a apanhei :P. Abraço, JP
por JP a 9 Março 2008 - 20:04

Actual sistema de avaliação dos professores: mais um exemplo de mediocridade
"(...) Sou professor do Ensino Secundário de História, tenho um Mestrado e um Doutoramento (tirados no ISCTE) em História Contemporânea, ou seja, sou doutorado na área científica em que sou docente, mas vou ser avaliado (de acordo com as grelhas) científico-pedagógicamente na minha área de docência por um Licenciado em geografia (Coordenador de Departamento), e vou ser também avaliado pelo Presidente do Conselho Executivo, neste caso um bacharel em fim de carreira!!

Portanto, em termos académicos o Estado Português confere-me um alto grau de competência científica, grau esse que utilizo para a área de docência, depois este mesmo Estado, obriga-me a ser avaliado na minha área de docência por um Licenciado em Geografia e por um Bacharel!!! (...) acha mesmo isto correcto?? É razoável??

Pois olhe meu caro amigo isto para mim é humilhante…. Não lhe desejo que estes laivos ditatoriais e humilhantes lhe cheguem à sua porta….. Mas já sabe como é a História da Humanidade, pensamos sempre que estes males nunca chegam a nós…… mas podem chegar….

(Pedro Brandão)"

Fonte: Abrupto

por Paulo a 9 Março 2008 - 23:47

Concordo...
Não podia estar mais de acordo... pessoalmente, se calhar, não serei a pessoa ideal para comentar estas decisões tomadas pelo governo, porque simplesmente não é a minha área. Posso dar a minha opinião, mas esta vale o que vale. No entanto concordo convosco quando dizem que este governo tem coragem... Acho que é preciso ter mesmo muita coragem para tomar as medidas que o governo tem tomado e que mexem nos bolsos e regalias que muita gente tomava como adquiridas. Coragem porque mesmo arriscando perder as eleições que vão ocorrer para o ano (penso eu), eles tomam as iniciativas que consideram ser as melhores para o país, enfrentando uma oposição não só política mas social, patrocinada por interesses privados, e explorada pela comunicação social até à exaustão. Não me irei esquecer tão cedo da crucificação pública do ex-ministro da saúde promovida pelos meus de comunicação social. Apesar de não concordar em absoluto com as medidas implementadas, creio que o que aconteceu foi uma exploração do tema saúde até à exaustão até o ministro se demitir. Após a demissão e susbtituição do ministro, as medidas mantiveram-se, mas subitamente os meios de comunicação social deixaram de dar cobertura ao tema. E eu pergunto: porquê? Os motivos para tanta contestação deixaram de existir? Ou havia um grande interesse em retirar o ministro? Sinceramente não sei, mas parece-me que é um pouco isso que estão a tentar fazer agora no ministério da educação. Ontem num zapping ouvi uma entrevista a uma das pessoas que estavam na mega manifestação:

Jornalista (J): "então, está aqui porquê, foi professora?"
Entrevistada (E): "não, estou aqui porque sou avó, e os meus netos andam na escola..."

Desculpem, mas acho isto normal? Mas os disparates continuaram, agora com outra pessoa:

J: "É professor e veio aqui mostrar o seu descontentamento?"
E: "Não vi aqui trazer a minha mulher e fiquei por aqui."

De facto nesta reportagem foi muito complicado encontrar um professor, e quando encontraram:

J: "É professor?"
E: "Sim, sou."
J: "Então e qual é a medida que mais contexta?"
E: "Hummmm..." (... 10 segundos à procura de uma resposta ...) "talvez a da progressão de carreiras"

E depois eu mudei de canal...

Para terminar eu não condeno a greve nem o facto de as pessoas estarem a fazer valer aquilo que acham que são os seus direitos... Mas uma mega manifestação onde as pessoas não sabem o que estão ali a fazer, só estão ali porque um sindicato disse que algo era mau, e nem sequer se deram ao trabalho de conhecer as medidas acho que lhes tira toda a razão...

Quanto à avaliação e à progressão de carreiras, eu trabalho numa instituição pública que está a implementar este processo, e eu não vejo isto como um problema, mas como algo necessário para que a minha instituição possa crescer. Acho que é uma oportunidade para mostrar o meu valor para a instituição e que tenciono aproveitar. Se calhar os professores deviam fazer o mesmo.

por phoenux a 10 Março 2008 - 00:09

Não concordo
Os professores não estão contra a avaliação. Estão é contra este sistema de avaliação. O meu post anterior retrata uma das muitas situações ridículas a que ESTA avaliação obriga. Posso também referir que foi IMPOSTA a meio do 2.º período, etc., etc. Enfim.
por Paulo a 10 Março 2008 - 01:06

Santa inocência
Será que esta avaliação se destina a premiar os "bons" ou os "eficientes"?

O "bom" professor é o ensina e avalia, ou o que passa a turma toda?

Mais cego é aquele que não quer ver que o que não pode.

A direcção da escola tem o orçamento proporcional ao "sucesso escolar". A direcção da escola vai premiar os professores mais "eficientes"?

Razão tem o "professorzeco" de Matemática que denunciou que o inspector escolar lhe "recomendou" que não era para haver negativas. Sei em primeira mão que casos como este não são únicos.

Avaliação é precisa? Sim, claro, mas quem é que disse o contrário? Até agora só ouvi pedidos de experimentar o sistema antes de o implementar? Não é isso que se faz no software? Testar previamente a versão beta e procurar os bugs antes do go-live?

Uma má avaliação é melhor que nenhuma avaliação? Uma má ponte é melhor que nenhuma ponte? Tenho muitas dúvidas que assim seja.

por Carlos Oliveira a 10 Março 2008 - 15:14


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moi Tem 36 anos, é natural de Vila Nova de Famalicão mas mora no Porto desde que veio para a universidade... bem, morou. Agora já casado, está pela Maia. Anda pela internet há já uns 16 anos tendo trabalhado em vários projectos como foram o caso do Mail.pt ou no Sapo. Também conhecido como o responsável pelo ITJobs, o Destakes e o Usauto entre outras brincadeiras. De resto já bloga há uns 11 anos apesar de ter perdido parte da "vida" numa mudança de hosting provider. Algumas restias ainda por aí andam... ah, e o email de contacto está no footer.

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