"O clima de temor e ameaça instalado..." No meio desta guerra toda há claro, muita desinformação. O que interessa é mesmo isso, a confusão, dizer que determinadas coisas são assim ou assado, em tom de drama, quando na realidade não o são de todo. E quando desmascaradas... elevar o tom do drama.
Há dias no programa Prós e Contras um professor de matemática da Trofa, levantou-se para afirmar que um inspector do Ministério o tinha aconselhado/coagido a não dar negativas. Que era para não haver negativas. A Ministra (no programa) achou estranho, disse que não era essa a política do Ministério, e que se de facto isso aconteceu o inspector errou e desafiou o professor a denunciar o inspector para se averiguar o que se passou porque era realmente grave.
Vem-se agora a saber (pelo mesmo programa) que o professor resolveu "corrigir a sua intervenção, desmentindo o que havia afirmado".
"Fátima Campos Ferreira aproveitou ainda o Prós e Contras para explicar que um dos professores presentes no programa da passada segunda-feira terá «enviado à DREN [Direcção Regional de Educação do Norte] uma carta» para retirar algumas das afirmações que fez no debate.
O professor, que tinha afirmado ter ouvido de um inspector recomendações para não dar notas negativas aos seus alunos, terá, de acordo com a informação recolhida por Fátima Campos Ferreira, retirado estas declarações, «por terem sido feitas a quente» e por não se rever nelas depois de as repensar «mais friamente»."
fonte: Sol
Resumindo, inventou.
O que dizem alguns ? Bem, ele não mentiu, isto é consequência "de uma maioria absoluta e do clima de temor e ameaça instalado que, remove qualquer hipótese de opinião pessoal".
Assustador! O professor veio então desmentir o que disse porque foi chamado à PIDE.
Basta ver que ainda hoje alguém deixou um comentário aqui no blog onde *ainda* volta a referir este caso, ignorando (ou não) que o mesmo já foi desmentido.
É o diz que disse, é a confusão... isso é que interessa.
Tenho conhecimento de dois casos que me foram contados em primeira mão de professores a contrato que foram "aconselhados" a não dar negativas. Um em Viseu e outro e em Gondomar. Não sou professor nem a minha mulher é, nunca dei aulas no ensino secundário. Estou a relatar o que me foi contado em primeira mão, mas que vos chega obviamente por via indirecta.
Mas basta atentar as alterações impostas recentemente nos regulamentos da escola e até no estatuto do aluno. Por cada negativa o professor precisa preencher impressos em triplicado e elaborar um plano individual de recuperação do aluno. Não pode dar negativa no terceiro período sem ter dado no primeiro ou segundos.
Eu acho bem que o sistema de ensino tenho por objectivo a eficiência e não deixar ninguém para trás. Mas isso só se pode alcançar adaptando os programas e os conteúdos às capacidades e interesses dos alunos, e não por "leis de secretaria" que promovem a passagem automática para que no fim todos tenham o mesmo ensino.
Mas enfim, o que é que interessa a qualidade do ensino? O importante é a eficiência certo? Eu aposto que há dois indicadores do ensino que vão mudar:
- O analfabetismo vai cair a pique, para niveis insignificantes.
- O nosso ranking na OCDE quanto a avaliação de competências vai ter um percurso semelhante.
(Espero estar completamente errado)
Não conheço as segundas declarações do professor da Trofa. Vou-me informar, não tinha intenção de desinformar, pois não sabia dos desmentidos, as desculpas pelo meu erro. por Carlos Oliveira a 11 Março 2008 - 11:09
Papeis e reuniões
Carlos,
Sim, sei por conhecimento de causa que é um pesadelo hoje em dia dar negativa a um aluno. Mas é impossível ? Não... dá é apenas mais trabalho.
Dou-te também um exemplo de um grande amigo meu que é professor que me disse que também foi "coagido" a não dar negativa a um aluno, pq *a sua* negativa o ia fazer reprovar de ano. Não por um inspector, mas pelos próprios colegas professores. Ora, ele é de Educação Fisica (por isso a "mais facil" de demover, pouco interessava). Qual a razão ?
Os outros professores não queriam lá ter de voltar para mais reuniões, mais papelada... queriam ir de férias mais cedo.
Já reparaste que tu e ele, nos argumentos, só se queixam de "ter mais trabalho", e que por isso o sistema está mal. Não falam do aluno, não falam de mais nada. Só que têm mais reuniões e papeis a preencher. por Carlos Jorge Andrade a 11 Março 2008 - 11:57
Espero que Sócrates não se demova
Agora resta esperar que Sócrates não se demova e não volte atrás numa das mais importantes reformas na educação, que era bem precisa!
Este país precisa de mais reformas para não criar costume. por Mário Lopes a 11 Março 2008 - 12:32
Blogmaster
Tem 36 anos, é natural de Vila Nova de Famalicão mas mora no Porto desde que veio para a universidade... bem, morou. Agora já casado, está pela Maia. Anda pela internet há já uns 16 anos tendo trabalhado em vários projectos como foram o caso do Mail.pt ou no Sapo. Também conhecido como o responsável pelo ITJobs, o Destakes e o Usauto entre outras brincadeiras.
De resto já bloga há uns 11 anos apesar de ter perdido parte da "vida" numa mudança de hosting provider. Algumas restias ainda por aí andam... ah, e o email de contacto está no footer.
não chateiem com os erros de Português... "the bad spelling is part of the charm". ;-)
escusado será dizer que as opiniões aqui expressas são minhas e só minhas, e não de outros ou da empresa onde trabalho
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