A técnica da vitimização Dos 55 mil ciganos registados em Portugal, 35 mil recebem o Subsídio de Reinserção Social. Recebem-no porque o que vendem (ou traficam, como preferirem) "não é colectável", logo não têm rendimentos, logo são pobres e desgraçados. Com isto em mente, eu não escreveria melhor o que o Fernando Madrinha escreveu este fim de semana no Expresso.
"Na avalanche de notícias sobre a Quinta da Fonte, houve uma que apareceu pequenina nos jornais e tem sido pouco valorizada, mas é muito reveladora e instrutiva. Veio do vereador da Câmara de Loures com o pelouro da habitação e diz que a renda média das habitações do bairro é de 4,26 euros por mês. Mesmo assim, as rendas em atraso já atingem um milhão de euros. Esta verba corresponde a 50 mil mensalidades em dívida. Sendo 776 os fogos existentes, temos cinco anos de rendas por pagar num bairro habitado há pouco mais de dez.
O comum dos cidadãos não compreende que uma família não pague os quatro euros de renda, disse o vereador ao 'Público'. Pois não. Por motivos vários - e nem é preciso ir buscar as imagens daquele chefe de família que, vindo da 'manif' defronte da sede do município de Loures, se deslocou ao bairro para mostrar às televisões onde estavam os objectos que lhe terão roubado: o plasma, o DVD, a TV e a "playstation" do miúdo, a máquina da loiça...
O comum dos cidadãos sabe, em primeiro lugar, que, se não pagar a sua renda ou a prestação da casa, recebe ordem de despejo e põem-lhe os móveis à porta. E se lhe ocorrer ir acampar com a família em frente da Câmara Municipal, é provável que a polícia corra com ele na hora e não daí a três dias. Depois, o comum dos cidadãos pode não ter dinheiro para mais nada, mas a renda é a última dívida que deixa de pagar, como os bancos sabem melhor do que ninguém. As duas atitudes - a noção de que a falta tem castigo e de que um compromisso, mesmo o de uma renda simbólica, é para ser cumprido - revelam um certo tipo de relação do tal cidadão comum, seja um pobre de sempre, seja um 'novo pobre', com a casa que habita e com a própria sociedade.
O que mostram as contas das rendas na Quinta da Fonte é a atitude oposta: a ausência de toda a responsabilidade, a arreigada noção de que os pobres, por serem pobres - e mais ainda se forem negros ou ciganos - só têm direitos e nenhum dever, o desprezo por qualquer compromisso e a certeza absoluta da impunidade total em caso de incumprimento, mesmo reiterado.
Esta é a filosofia de vida que o Estado assistencial tem promovido nas 'Quintas da Fonte'. Ninguém dá valor a uma casa que lhe é oferecida por 4,26 euros mensais e que ninguém lhe tira se os não pagar - e aí já está metade da explicação para não se cuidar dela, deixando-a degradar-se de forma acelerada. Menos valor ainda se lhe dará se, além de pedir quase nada de esforço pela habitação, o Estado sustentar a família com subsídios e apoios que a dispensam de procurar trabalho. Ou que permitem a acumulação com expedientes de legalidade duvidosa, quando não criminosos.
No caso específico dos ciganos, que são um caso muito particular em matéria de integração, é público e notório, tanto nas 'Quintas da Fonte', como nas aldeias e vilas alentejanas, que se especializaram na exploração do sistema, nomeadamente no celebrado rendimento social de inserção. E que o Estado faz muito mais do que a esmagadora maioria deles faz pela sua própria integração. Na hora mais conveniente, sabem usar como ninguém a técnica da vitimização racista, seja para explorar e colher qualquer benefício, seja para justificar os seus próprios comportamentos, muitas vezes violentos e racistas. É ir às escolas, por exemplo, e perguntar quem são e como se comportam os pais mais problemáticos.
Bem podem abespinhar-se, pois, as almas pias que se tomam por mais sensíveis e anti-racistas do que todas as outras. O que as incomoda não é que o racismo exista e que ele se manifeste lá onde não dá jeito nenhum ao seu discurso politicamente correcto. O que as incomoda é que se fale disso."
Com esta história toda da Quinta da Fonte eu gostei da atitude dos partidos dos coitadinhos... o BE, por onde anda o Louça ou a Drago? É que não se viu nenhum partido da esquerda manifestar-se contra uns ou outros. Com certeza se o problema fosse com brancos o BE iria logo aparecer por que afinal seria um problema sério de racismo contra os ciganos ou pretos. por Paulo Moura a 29 Julho 2008 - 12:33
Não diria melhor
Eu não o diria melhor, é francamente irritante para qualquer cidadão normal observar estas situações (pelo menos aqueles que pensam). Eu não calhei em ler esse artigo mas é curioso que ele confirma as minhas suspeitas de a renda desses indivíduos se situar à volta dos 5€... por Dextro a 29 Julho 2008 - 13:50
Recenseamento
Há um registo de ciganos? por artur correia a 29 Julho 2008 - 15:09
Registo
Artur,
Não faço ideia, talvez venha das associações que eles criam de defesa disto e daquilo. Eram os números que estavam este fim de semana na primeira página do Expresso... canto superior esquerdo. por Carlos Jorge Andrade a 29 Julho 2008 - 16:24
Demasiado importância...
Será que não está a ser dadao demasiado tempo de antena aos ciganos? Eles não são nenhuns santos, se o fossem não tinham andado aos tiros na Quinta da Fonte e não tinham tantas armas, os africanos também não o são, agora virem pedir casas novas é o cúmulo. Pelo que se viu na televisão, eles têm poder de compra para serem eles a fazer como todos nós, comprarem casas e pagarem as prestações todos os meses. Alguns queixam-se que o banco não lhes dá empréstimos porque não têm rendimentos mas quandos lhes dão as casas com uma renda de €4 eles também não as pagam e ainda as destroem! O que é que eles querem? Já não lhes chegam os rendimentos minimos que andam a chular a todos nós que descontamos? A mim ninguém me deu casa nenhuma! Tive que a comprar, e para isso tenho que trabalhar todos os dias!
O Presidente da Camara de Loures está a ter a atitude correcta: não há casas para ninguém! por João Pinto a 30 Julho 2008 - 11:30
Não resisti...
"Notícias possivelmente relacionadas:
No news is good news?"
Acho que nesta área mais do que em qualquer outra: sim, não haver notícias é do melhor que pode haver.
Bom post, bom artigo ;) por Tiago Pinto a 6 Agosto 2008 - 03:33
Blogmaster
Tem 34 anos, é natural de Vila Nova de Famalicão mas mora no Porto desde que veio para a universidade... bem, morou. Agora já casado, está pela Maia. Anda pela internet há já uns 14 anos tendo trabalhado em vários projectos como foram o caso do Mail.pt ou no Sapo. Também conhecido como o responsável pelo ITJobs e o Destakes entre outras brincadeiras.
De resto já bloga há uns 9 anos apesar de ter perdido parte da "vida" numa mudança de hosting provider. Algumas restias ainda por aí andam... ah, e o email de contacto está no footer.
não chateiem com os erros de Português... "the bad spelling is part of the charm". ;-)
escusado será dizer que as opiniões aqui expressas são minhas e só minhas, e não de outros ou da empresa onde trabalho
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