Mapitol - o maior e melhor do mundo, quiça mesmo de Portugal Se há coisa que nos põem os projectos nas notícias é o teaser conter as palavras, "maior", "melhor", "português" e terminar com "do mundo". Os jornalistas (e não estou a meter todos no saco, apenas os que enfiarem a carapuça) adoram histórias destas e vão logo atrás da respectiva entrevista com o líder inovador, sem fazerem o trabalho de casa e sem espírito crítico próprio para toparem se é treta ou não.
Há coisa de ano e meio isto passou-se com um projecto chamado MapMyName e que na altura critiquei. Tinha todos os ingredientes, vamos fazer não sei o quê, é "português", vai ser o "maior" coiso "do mundo", são jovens, inovadores e... wait for it... um financiamento agora vinha mesmo a calhar.
Escusado será dizer que se fizeram artigos e entrevistas sobre isto, apareceu na tv... e nada. Passado uns tempos o tasco fecha. Focaram-se na "história a contar" para justificar a exposição e não funcionou... se bem que mais tarde deu origem a um spin-off similar, já financiada, mas com resultados idênticos. Mas isso fica para outro post.
Isto tudo para contextualizar the new kid in town... de novo, um "português" que vai criar o "maior" e "melhor" coiso "do mundo".
Há que dizer que tive o "privilégio" de experimentar este serviço em Dezembro passado. Era o trabalho de um ano (à data de hoje já lá vão 18 meses), com uma equipa de 9 pessoas e já na altura estavam à procura de potenciais investidores (se eu conheceria alguém).
Diga-se que à primeira vista os resultados eram desanimadores e o design/usabilidade decepcionantes. Para ser totalmente sincero, não percebi a utilidade e fiquei "chocado" (para não dizer outra coisa) com o facto de aquilo ser o resultado de um ano de trabalho de 9 pessoas. De qualquer maneira, a experiência tinha ficado por ali, nunca mais vi referências ao projecto e nunca mais ouvi falar dele... até ontem.
O projecto chama-se Mapitol (palavra homófona de map it all) e pretende ser o maior e melhor directório do mundo. Mas nada como alguns bocados da entrevista à Lusa para perceber o que é. Os bolds são meus.
O português Carlos Zamith criou o maior diretório da internet e pretende torná-lo a breve prazo o "melhor de sempre"
Na primeira apresentação pública do Mapitol, Carlos Zamith revelou à Lusa os principais objetivos deste projeto, em funcionamento há 18 meses, e afastando-se do conceito de buscador, colocou a sua ideia como a "reinvenção da internet".
Na opinião de Carlos Zamith, que espera lançar a ideia na rede no primeiro trimestre de 2010, com o objetivo de atingir 100 milhões de page-views por mês, o Mapitol "irá impor-se não como algo que irá tirar espaço ao Google ou outros motores de busca", mas sim como uma "nova ferramenta".
A criação de um mapicode, que seja em breve uma "espécie de código ISBN" na Internet, a publicidade contextualizada ao detalhe, assim como o desenho de uma árvore que permitirá aos adultos filtrar a informação consultada pelas crianças, são outras das inovações do Mapitol, que será direcionado a todo o tipo de usuário, embora ainda somente na língua inglesa, nesta primeira fase do projeto.
Com um investimento de 200 mil euros numa primeira fase e oito editores, o Mapitol quer, por Carlos Zamith, ficar em Portugal, embora a crise e a relação dos empresários lusos com a Internet torne difícil o objectivo. Zamith admite que o Estado poderá, "pela dimensão do projeto", querer chamá-lo a si.
"Eu tenho lutado bastante para que o projeto fique em Portugal. Não queria que o Mapitol fosse financiado ou vendido a empresas estrangeiras. Tem sido difícil, mas estou a lutar e acredito que vamos conseguir manter o projeto em Portugal".
A segunda fase do projeto implica um investimento de 250 mil euros, num valor total de um milhão e meio a dois milhões, finalizado o Mapitol, nesta altura já com cerca de cinco dezenas de editores e dois programadores.
A sério, parem de rir, não estou na tanga, está tudo preto no branco aqui. Existe aqui também um vídeo.
Pontos a reter:
Quantidade invés de qualidade. Somos o maior directório do mundo e a pesquisa é feita em árvore. Olá, 1998 ligou e diz que quer este conceito de volta. Mas a edição de links é colaborativa! E se o pessoal não aderir ?
São precisos 18 meses e 9 pessoas para reinventar a internet... com aquele aspecto. Mas só o lançamos em 2010. Até lá tudo muda.
100 milhões de pageviews ? Pouco ambicioso para o maior e mais revolucionário "buscador" da internet.
Ahh, o ISBN para sites. Agora é moda os ISBN para <inserir aqui qualquer coisa>.
50 editores ? Mas o "robot" que falam são humanos ?
Formas de rentabilizar o serviço referidas ? Nenhuma.
Mas a cereja é mesmo a "ameaça" no fim do artigo.
Ai, se não investirem em nós, vamos embora, saímos de Portugal. Já enterramos 200 mil (dá para perceber que 0 foi para design), e queremos outros 250 mil já, até termos torrado dois milhões. E isto é tão tão vital, tão tão útil, tão tão inovador que o Estado devia ficar já com isto.
Pronto, vá lá, isto e a Qimonda.
Mas não acreditem em mim, experimentem aqui (login: guest, password: mapitolguest). (disabled)
ps: Ah, e se ainda não perceberam porque raios é que a Lusa pega numa história destas, a pista (é palpite!) poderá estar no apelido do fundador.
Update:
O login público de testes foi inactivado 2 horas depois da publicação deste post. Parece que alguém não quer que se veja o serviço. Não se entende, depois de uma "não notícia" destas na Lusa, e não querem que se teste/veja o serviço. Ainda por cima com um "Be one of the first to try Mapitol – contact us for an invitation" na homepage do site. Será que se pedirem acesso, eles negam ?
Tem 34 anos, é natural de Vila Nova de Famalicão mas mora no Porto desde que veio para a universidade... bem, morou. Agora já casado, está pela Maia. Anda pela internet há já uns 14 anos tendo trabalhado em vários projectos como foram o caso do Mail.pt ou no Sapo. Também conhecido como o responsável pelo ITJobs e o Destakes entre outras brincadeiras.
De resto já bloga há uns 9 anos apesar de ter perdido parte da "vida" numa mudança de hosting provider. Algumas restias ainda por aí andam... ah, e o email de contacto está no footer.
não chateiem com os erros de Português... "the bad spelling is part of the charm". ;-)
escusado será dizer que as opiniões aqui expressas são minhas e só minhas, e não de outros ou da empresa onde trabalho
qualquer outro bitaite... ramblings at karlus.net
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