Sábado passado aconteceu o Talks 2.0 cá por cima na FEUP.
Eu podia dizer como foi bem organizado (tirando a pontualidade) ou como gostei das apresentações do Leo Xavier da Quodis ou do Francisco Fonseca da AnubisNetworks, mas o que me deixou de boca aberta foi o Miguel Monteiro da Chip7/Introduxi.
Conheci o Miguel Monteiro há uns anos quando depois de passar uma série de entrevistas lhe caio à frente para a posição de Dir. Técnico da Seara. Está à vista que a coisa não correu pelo melhor. É que alguém que está à procura de uma pessoa para essa posição de longo prazo não deverá querer ouvir como resposta "Ter a minha própria empresa" à típica pergunta "Onde te vês daqui a x anos".
Sábado achei-o mais pesaroso, mais "acabado" e em parte a explicação veio a seguir.
Numa atitude que pouco se vê por estes lados, e prontamente elogiada pelo moderador, disse que estava a passar uma má fase. Que a Chip7 passa por grandes problemas, ainda os tem, mas este ano com mudanças no modelo de negócio já começou a dar a volta. A Introduxi está ainda pior e ainda não deu sinais de recuperação.
Isto é tudo menos normal, dizer publicamente que se está mal, que se está a passar um mau bocado ou que no limite se falhou. E o exemplo mais clamoroso disto vê-se nas chamadas startups da moda.
Quando começam, e algumas com financiamento externo, são as maiores. Querem o nosso apoio, melgam para testar o produto em beta, mandam convites, querem que falemos delas ou querem que se vote nelas em concursos. Até ao dia que deixamos de ouvir falar nelas...
Sim, porque a festa não dura sempre e alguém a tem de pagar. Nesse momento, desaparecem de cena. Não dão cavaco, não lhes apetece falar do assunto, não podem, não querem. Não anunciam o fim do projecto, nem em nome da startup/projecto nem a nível individual. Ninguém os vê a dar a cara. Não se passou nada. Ninguém há-de reparar.
Num momento gostam muito de nós e querem o nosso apoio, no outro já não interessa nada.
E podia dar n exemplos. Uns mais assumidos que outros, outros encapotados, outros que estão a custar mais deitar a toalha ao chão. Não percebo é qual é o problema de admitir o fecho ou o erro. Se gostam tanto de dar feedback durante o lançamento ou quando lançam coisas novas, o mínimo que seria de esperar era uma palavrinha. Sempre aprendíamos todos algo. É que há casos de pessoas que ainda perguntam pelas startups/projectos e nem imaginam que eles já estão noutra...
Se calhar era para beneficio de todos que contasses o que correu mal com o mail.pt, com o lusocast/hispacast ou com o mms/online. por walkthetalk a 3 Março 2010 - 14:32
Try again
Caro walkthetalk,
Até terias alguma piada, não tivesses atirado completamente ao lado. :-D
1) O Mail.pt não tem *nada* a ver comigo. Eu era um mero empregado. Terás de pergunta a quem de direito. Eu podia-te dizer o que correu mal, mas não me diz respeito.
2) O Lusocast era uma "brincadeira" que me ocupava tempo a mais. Era para aproveitar hype dos podcasts. A moda passou (ver a história do ODEO) e deixou de ser interessante. Procura neste blog por detalhes, ou não viste o link no post acima ?
3) O mms/online !? Conheces-me assim à tanto tempo ? :-D Consideras aquilo um "projecto/startup" ? Um endereço de email para onde enviavas um mms que depois aparecia na web ? Vais-me perguntar por todos os scripts que descontinuei ?
Mas já que me conheces tão bem, e parece que mexi com algum nervinho teu, não queres dizer quem és ? Pode ser que também tenhas umas histórias interessantes para partilhar.
Vá lá... sai do armário. por Carlos Jorge Andrade a 3 Março 2010 - 22:46
Concordo
Há muita falta de humildade nesse aspecto - aqui e em todo o lado. A "moda" também me incomoda. por Leo a 3 Março 2010 - 22:46
os Lusiadas
indeed..
mas são coisas que não me espatam.. afinal de tudo vivemos em Portugal..
Quando o vento está a favor conquistam-se mundos e fundos, dão-se entrevistas e escrevem-se livros..
Quando a terra treme, toca a meter o rabo entre as pernas..
Poucos são os capitães que ainda aguentam no navio até ao fim..
BTW, nice to meet you ;) por Francisco Costa a 3 Março 2010 - 23:10
Ninguém gosta de falar do morto, ninguém gosta de falar da morte da relação com alguém, ninguém gosta de falar da morte de uma relação profissional (leia-se quando foi despedido).
Pelo menos não a quente. Parece-me natural que assim seja. A morte ainda é tabu.
Não quero com isto dizer que não concorde contigo e que se devia falar mais abertamente sobre a morte. Seja de que tipo for.
Agora também parece-me mais meritório alguém que tenha uma ideia, por muito descabida que seja aos nossos olhos, tentar concretiza-la. Ideias existem muitas, quem as (tente) concretize nem por isso.
A morte (ou o fracasso) deve deixar de ser tabu para quem hajam mais pessoas a concretizar ideias em vez de a mandar bitaites apenas. por Rui Alves a 3 Março 2010 - 23:59
Rogério
Concordo na íntegra. É de lamentar que não se admitam as falhas e não se partilhem as experiências.
O handivi foi um claro exemplo disto. O projecto evaporou-se do mapa do dia para a noite, sem explicações, sem avisos. O site quer da empresa quer do produto ficaram offline, mas entretanto pelos vistos já estão online como se nada tivesse acontecido. É pena que assim seja dado que as pessoas envolvidas até têm uma certa reputação. por Rogério a 4 Março 2010 - 00:44
Sem titulo
Pior que as indirectas do carlos só a cobardia de quem quer perguntar sem dar a cara. Enfim, o eterno problema da "nossa comunidade": apertam-se as mãos mas as outras ficam livres para a facadinha nas costas.
Indo directo à vaca fria, pelo que sei o handivi está a ser desenvolvido por quem investiu nele, não me perguntem os moldes nem as direcções tomadas porque não sei responder. O que correu mal? Assumo as culpas, desde o andar às voltas do projecto ao fincar pé a novos investimentos, aos problemas tecnológicos e acabando nos atrasos sucessivos no desenvolvimento dos clientes mobile. N outras coisas correram pessimamente a nível pessoal que me deixaram muito em baixo mas nem vocês nem ninguém tem alguma coisa a ver com isso, mas olhando para trás não me parece ser possível disassociar as duas coisas. Quando chegou a altura do "do or die", principalmente porque os níveis de adopção estavam abaixo do esperado, haviam demasiadas visões e estratégias incompativeis e as relações estavam em péssimo estado. Na esperança de eliminar um problema grave optei por sair com a concordância dos restantes sócios (tb eram da opinião q a situação era insustentável e algo teria de mudar). Infelizmente isso levou a outras saídas e não ficou ninguém da equipa original a desenvolver o handivi. E este é um breve resumo de um lado da história, espero que alguém fique mais contente agora que sabe um bocadinho mais das coisas. por Cpinto a 4 Março 2010 - 00:54
E ainda...
Para que fique claro, ainda mantenho relações próximas (na medida do possível) com os membros da equipa e cordiais com quem investiu no projecto, e isso para
mim é bastante mais importante que escrever posts a falar sobre o assunto, para mais quando o meu à
vontade para falar de coisas publicamente já não era muito e agora é ainda menos. por cpinto a 4 Março 2010 - 01:06
Indirectas
Cpinto,
Estás muito enganado se achas que isto é um indirecta ao Handivi. Voçês não tiveram assim tanta importância. :-)
Escrevi este post com 4/5 startups/empresas em mente. Sim, não te vou mentir dizendo que o Hanvidi não é uma delas, mas não estou a personalizar. Aliás, o facto de dizeres o que dizes só prova que algo devia/podia ter sido dito às pessoas. Nem que fosse um simples, "a coisa como a conhecem acabou, detalhes no meu testamento".
Não se trata de querer dançar sobre o corpo do morto, ou querer que todos os envolvidos venham a público contar a sua versão, ou lavar roupa suja e muito menos relatar questões pessoais. O Miguel Monteiro (Chip7) não fez isso, apenas falou de dois aspectos para justificar a má situação actual.
Apenas acho que é uma questão de respeito para quem vos "aturou" enquanto cá andaram. Se calhar sou picuinhas... por Carlos Jorge Andrade a 4 Março 2010 - 01:19
Não compreendo
Carlos,
porque é que as poucas startups tecnologicas portuguesas devem explicar porque é que morreram? Porque tiveste que as "aturar"? Porque tiveste um contacto mais próximo com os respectivos owners?
Também pediste explicações à Sagres do que aconteceu aos 12 produtos (entre as quais a Bohemia que ainda existe) que foram lançados à uns tempos e acabaram por sair do mercado? Não foste melgado o suficiente pela Cerveja da Ivete Sangalo o suficiente para ir pedir contas a eles?
Qual então o grande argumento para alguém ter que passar por mais uma vergonha publica de explicar porque o seu "menino" afinal abortou e morreu pelo caminho? Também pedes explicações a quem aborta? Parece-me uma metafora forte mas equivalente. Qual o sentido?
Satisfação do ego de algumas pessoas com medo de apostar em projectos?
Bravos os que falam dos seus falhanços. Mas não condeno quem fica na sombra e continua a tentar até conseguir. Não acreditas nos projectos, não invistas neles. Not your money, not your problem.
Don't get it. por Rui Alves a 4 Março 2010 - 02:28
tempo de antena
quem tem medo da morte que compre um cão e fique em casa..
a morte é um marco de uma relação, a bem ou mal esse marco tem alguma dimensão para as pessoas envolvidas e em muitos casos para uma grande comunidade.. esse marco cria buzz
em vez de meterem a cabeça debaixo de terra a melhor forma é dar a cara.. só assim vão transformar situações negativas em positivas por Francisco Costa a 4 Março 2010 - 10:44
Morte
Parece-me mais conversa de quem nunca fez nada. por Rui Alves a 4 Março 2010 - 12:25
ressuscita
Sr. Rui Alves, não condeno quem fica na sombra, cada um sente as coisas à sua forma.
A minha estratégia é outra..
Não quer.. não compre.. por Francisco Costa a 4 Março 2010 - 13:01
Não se trata de explicar...
Rui,
Eu não quero uma *explicação*. Eu não falei em explicações. Como podes ler acima, eu não quero saber detalhes pessoais, ou que venham lavar roupa suja. A justificação até pode ser do foro pessoal, e eu não tenho nada a ver.
Eu gostaria apenas que como quando lançam a empresa/startup fazem um barulho do caraças, quando a matam ou ela morre, venham dizer isso mesmo. Adeus, correu mal, goodbye, thanks for all the fish... e que não assobiem para o lado na expectativa que ninguém note. Ou só estamos aqui para deitar foguetes ? Como te digo, é uma questão de respeito para os (tansos) que os apoiaram/incentivaram... por Carlos Jorge Andrade a 4 Março 2010 - 16:05
Transparente
Na minha opinião penso que as pessoas/empresas devem ser transparentes... Como o Leo referiu, e bem, na conferencia Talks 2.0, devemos ser sinceros daquilo que realmente somos capazes ou não, pois isso atrai as pessoas que nos aceitam como somos e não como outra coisa qq...
E eu penso que isso também deve acontecer quando as coisas estão menos boas, devemos partilhar que a coisa está a correr mal, que fizemos algo que não devíamos e estragamos o nosso projecto, pois é a forma de ajudarmos o próximo e ao mesmo tempo pode aparecer alguém em que tenha acontecido a mesma coisa e até pode haver uma ajuda e partilha de experiências de modo a poder recuperar a situação... sejamos transparentes.
Por exemplo, quando vou a uma livraria à procura de livros de empreendedorismos e coisas do género, só encontro livros a dizer que tudo é muito fácil, que é só seguir estes 5 pontos e que tudo corre às mil maravilhas... mas não é bem assim, pois toda a gente falha... e porque não há livros de casos de insucesso? Essas experiências deviam ser partilhadas de modo a aprendermos uns com os outros, era uma mais valia por todos nós... acho eu... :)
Não tendo ainda falado com o Carlos Andrade, parece-me que estou de acordo com ele, porque o que eu entendo do post dele é muito simples:
Vir para um TakeOff, Barcamp, (meter aqui outro evento qualquer) falar do sucesso ou dar a conhecer determinada empresa/produto é bom, positivo e inspirador.
Mas vir também dizer o que falhou (não é preciso meter questões pessoais ao barulho) é também muito útil para quem está a começar.
Assim de repente, lembro-me de uma frase do que "correu mal" com um negócio do Mário Valente que ficou desde aquele ano do TakeOFF na minha cabeça:
Nunca fazer negócio com o irmão (a mim também se aplica família), nunca estar numa sociedade 50/50.
Lembro-me também do Leo falar no último TakeOFF do erro dele no MegaBenfica, pelo facto de ter dado demasiada confiança a uma empresa sem se ter assegurado que o domínio (neste caso) era mesmo dele.
Em relação a por exemplo o Handivi (admito que sempre quis ler uma vaga explicação) a que o Celso deu era encaixava-se bem num TakeOFF, dizer o que correu mal (neste caso fosse o rumo do projecto, atraso, investir demasiado, terem estudado pouco o mercado ou simplesmente terem tido azar sei lá).
Basicamente para mim é tão (ou mais) enriquecedor ouvir alguém contar porque algo correu mal como alguém contar o que fizeram para correr bem. por Cláudio Franco a 4 Março 2010 - 17:07
É Portugal, está tudo dito
Eu vejo nos putos com menos 10 anos que eu. Cheios de ideias, tudo bem. Esquecem-se de duas coisas fundamentais:
*Os lucros não são tão grandes como imaginam. É dificil vender o produto/serviço, ainda mais vindo de uma empresa com pouco ou nenhum portfolio no mercado. Há inumeros interesses instalados de uma concorrencia muitas vezes desleal. A economia é pequena e esta concentrada na capital e a internacionalização nem sempre é resposta. E quando se consegue vender algo, recebe-se a 90 dias, 4 meses, 6 meses, 1 ano, 2 anos. Experimentem vender produtos/serviços á administração publica (especialmente a local) e saberão do que falo.
* As despesas não são tão insignificantes quanto esperadas. Bons profissionais custam dinheiro, e se os conseguirem contratar a baixo custo, acreditem que não os conseguem manter durante muito tempo. Depois há despesas que estão igualmente sempre a contar, agua, luz, telecomunicações e claro o espaço, que apesar de não estar tao inflacionado actualmente, também tem o seu custo.
Tudo junto assiste-se a dois fenomenos:
* Taxa de mortalidade de empresas altissima na ordem de 60-70% ao fim de uma decada de existencia. Saiu recentemente um estudo no JN que aponta nesse sentido.
* Sucesso dos artolas que conseguem financiamentos e concursos por vias travessas, a fazem proxenetismo em duas direcções, uma através dos colaboradores mal pagos, outra através dos clientes roubados por serviços extremamente caros.
Existem ainda aqueles que conseguem vingar por merito proprio, mas neste Pais dos pequeninos, são cada vez menos...Assim por alto, estou a lembrar-me da Alert e da Anubis. por Alex a 5 Março 2010 - 10:10
Blogmaster
Tem 34 anos, é natural de Vila Nova de Famalicão mas mora no Porto desde que veio para a universidade... bem, morou. Agora já casado, está pela Maia. Anda pela internet há já uns 14 anos tendo trabalhado em vários projectos como foram o caso do Mail.pt ou no Sapo. Também conhecido como o responsável pelo ITJobs e o Destakes entre outras brincadeiras.
De resto já bloga há uns 9 anos apesar de ter perdido parte da "vida" numa mudança de hosting provider. Algumas restias ainda por aí andam... ah, e o email de contacto está no footer.
não chateiem com os erros de Português... "the bad spelling is part of the charm". ;-)
escusado será dizer que as opiniões aqui expressas são minhas e só minhas, e não de outros ou da empresa onde trabalho
qualquer outro bitaite... ramblings at karlus.net
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